Publicado em
· 10 de julho de 2026

Tipos de Regressão Linear: Simples, Múltipla, Ridge e Lasso

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    Henrico Piubello
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    Especialista de TI - Grupo Voitto

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Mesa de escritório com gráficos de dispersão e retas de regressão linear em telas

Os principais tipos de regressão linear são a simples, a múltipla, a polinomial e a regularizada (Ridge e Lasso). A escolha depende do número de variáveis independentes, da forma da relação entre elas e da necessidade de controlar o overfitting em conjuntos de dados de alta dimensionalidade.

Quais são os principais tipos de regressão linear?

A regressão linear tem quatro variações principais, que se diferenciam pelo número de variáveis independentes e pela forma da relação modelada. Antes de aplicar qualquer uma delas, vale revisar os fundamentos de machine learning que sustentam esses modelos supervisionados.

  1. Regressão Linear Simples — modela uma variável dependente a partir de uma única variável independente.
  2. Regressão Linear Múltipla — usa duas ou mais variáveis independentes ao mesmo tempo.
  3. Regressão Linear Polinomial — captura relações curvas com termos de grau superior.
  4. Regressão Linear Regularizada — aplica penalidades aos coeficientes (Ridge e Lasso) para reduzir overfitting.

A tabela abaixo resume quando cada tipo é mais indicado:

TipoQuando usarCaracterística principal
SimplesUma variável preditoraAjusta uma reta
MúltiplaVários preditoresAjusta um plano ou hiperplano
PolinomialRelação não linearUsa termos de grau superior
RidgeMuitas variáveis correlacionadasReduz coeficientes (penalidade L2)
LassoSeleção de variáveisZera coeficientes irrelevantes (L1)

Essa é a base de um dos algoritmos mais usados na área: segundo a pesquisa State of Data Science and Machine Learning da Kaggle, a regressão linear e logística figura entre os métodos mais adotados por profissionais de dados, usada por mais de 80% dos respondentes em edições recentes.

O que é a regressão linear simples?

A regressão linear simples é a forma mais básica da técnica: ela assume uma relação linear entre uma variável dependente e uma única variável independente, representada por uma reta no plano bidimensional. O objetivo é encontrar a reta que minimiza a diferença entre os valores observados e os previstos pelo modelo.

A equação da regressão linear simples é:

Y=β0+β1X+εY = \beta_0 + \beta_1 X + \varepsilon

Onde:

  • YY é a variável dependente que se deseja prever.
  • XX é a variável independente (preditora).
  • β0\beta_0 é o intercepto, o valor esperado de YY quando XX é igual a zero.
  • β1\beta_1 é o coeficiente de XX, que representa a inclinação da reta.
  • ε\varepsilon é o termo de erro, que captura as discrepâncias entre observado e previsto.

A regressão linear simples é indicada quando há uma única variável que se acredita influenciar o resultado. Ela oferece uma maneira direta de quantificar e interpretar essa relação. Para um panorama completo de como esse modelo é ajustado e avaliado, veja o guia sobre o que é regressão linear e como modelá-la.

Como funciona a regressão linear múltipla?

A regressão linear múltipla estende a versão simples ao considerar várias variáveis independentes simultaneamente para prever a variável dependente. Em vez de uma reta, o modelo ajusta um plano ou hiperplano, permitindo analisar o efeito de cada preditor mantendo os demais constantes.

A equação da regressão linear múltipla é:

Y=β0+β1X1+β2X2++βnXn+εY = \beta_0 + \beta_1 X_1 + \beta_2 X_2 + \dots + \beta_n X_n + \varepsilon

Onde:

  • YY é a variável dependente.
  • X1,X2,,XnX_1, X_2, \dots, X_n são as variáveis independentes.
  • β0,β1,,βn\beta_0, \beta_1, \dots, \beta_n são os coeficientes que medem a influência de cada preditor.
  • ε\varepsilon é o termo de erro.

A regressão múltipla é particularmente útil quando múltiplos fatores influenciam o resultado — por exemplo, prever o preço de um imóvel a partir de área, localização e número de quartos. O cuidado central é a multicolinearidade: quando os preditores são muito correlacionados entre si, os coeficientes ficam instáveis e difíceis de interpretar.

Quando usar a regressão linear polinomial?

A regressão linear polinomial é indicada quando a relação entre as variáveis é claramente não linear e uma reta não ajusta bem os dados. Ela modela a relação por um polinômio de grau superior, capturando curvas e padrões mais complexos sem abandonar a estrutura linear nos coeficientes.

A equação da regressão polinomial pode ser representada como:

Y=β0+β1X+β2X2++βnXn+εY = \beta_0 + \beta_1 X + \beta_2 X^2 + \dots + \beta_n X^n + \varepsilon

Onde:

  • YY é a variável dependente.
  • XX é a variável independente elevada a diferentes potências.
  • β0,β1,,βn\beta_0, \beta_1, \dots, \beta_n são os coeficientes do polinômio.
  • ε\varepsilon é o termo de erro.

Na prática, a regressão polinomial é implementada gerando features de grau superior — por exemplo, com o PolynomialFeatures do scikit-learn — e aplicando a regressão linear sobre elas. O risco é escolher um grau alto demais: o modelo passa a decorar o ruído dos dados e oscila de forma exagerada, um caso clássico de overfitting.

O que são regressão Ridge e Lasso?

A regressão Ridge e a Lasso são técnicas de regressão linear regularizada: elas incorporam uma penalidade aos coeficientes do modelo para evitar overfitting e melhorar a generalização. Ambas são especialmente valiosas em conjuntos de dados de alta dimensionalidade, com muitas variáveis independentes e problemas de multicolinearidade.

A regressão Ridge adiciona à função de perda um termo proporcional à soma dos quadrados dos coeficientes (penalidade L2). Isso reduz a magnitude dos coeficientes, evita valores extremos e diminui a sensibilidade a variações nos dados de treino. A técnica foi proposta por Arthur Hoerl e Robert Kennard em 1970, no artigo "Ridge Regression: Biased Estimation for Nonorthogonal Problems" (Technometrics, vol. 12).

A regressão Lasso também penaliza a função de perda, mas usa a soma dos valores absolutos dos coeficientes (penalidade L1). Além de reduzir a magnitude, o Lasso zera os coeficientes menos relevantes, realizando seleção de variáveis automática. O método foi introduzido por Robert Tibshirani em 1996, no clássico "Regression Shrinkage and Selection via the Lasso" (Journal of the Royal Statistical Society, Series B, vol. 58). Ambas estão disponíveis prontas no scikit-learn, nas classes Ridge e Lasso.

Ridge vs Lasso: qual escolher?

A escolha entre Ridge e Lasso depende do que você quer do modelo. Use a Ridge quando deseja manter todas as variáveis no modelo e apenas controlar a magnitude dos coeficientes — ela lida bem com preditores muito correlacionados. Use o Lasso quando busca um modelo mais enxuto e interpretável, deixando o próprio algoritmo descartar variáveis irrelevantes ao zerar seus coeficientes.

Como regra prática: se você suspeita que apenas poucas variáveis realmente importam, o Lasso tende a produzir um modelo mais simples. Se todas as variáveis parecem contribuir, a Ridge costuma ser mais estável. Uma alternativa é o Elastic Net, que combina as penalidades L1 e L2 e captura o melhor dos dois mundos. Para colocar qualquer uma dessas abordagens em prática, o guia da CodeCrush sobre como criar projetos de machine learning ajuda a estruturar o fluxo do treino à avaliação.

Como escolher o tipo de regressão linear certo?

A escolha do tipo de regressão linear começa por três perguntas: quantas variáveis independentes existem, a relação entre elas é linear ou curva, e há risco de overfitting por excesso de preditores. Uma única variável e relação reta pedem a regressão simples; vários fatores pedem a múltipla; uma curva evidente pede a polinomial; e muitos preditores correlacionados pedem regularização com Ridge ou Lasso.

Independentemente do tipo, valide sempre o modelo com métricas como R², RMSE e análise de resíduos, além de validação cruzada. Nenhuma equação substitui o entendimento do problema: a regressão linear é uma ferramenta de interpretação, e sua utilidade cresce quando escolhida com base na natureza dos dados, não por conveniência.

Conclusão

Dominar os tipos de regressão linear é menos sobre decorar equações e mais sobre casar o modelo ao formato dos seus dados. Comece simples: se uma reta explica bem a relação, não complique. Escale para múltipla, polinomial ou regularizada apenas quando os dados justificarem — e sempre validando os pressupostos. Na era da inteligência artificial aplicada, esse discernimento continua sendo o que separa um modelo preciso de um número bonito sem significado.

## faq

Perguntas frequentes

Quais são os tipos de regressão linear?

Os principais tipos são a regressão linear simples (uma variável independente), a múltipla (duas ou mais variáveis), a polinomial (relações curvas com termos de grau superior) e a regularizada, que inclui Ridge e Lasso. Cada tipo resolve um problema diferente conforme a quantidade de preditores e a forma da relação entre eles.

Qual a diferença entre regressão Ridge e Lasso?

A regressão Ridge penaliza a soma dos quadrados dos coeficientes (L2), reduzindo a magnitude sem zerá-los. O Lasso penaliza a soma dos valores absolutos (L1), podendo zerar coeficientes e realizar seleção de variáveis. Use Ridge quando quer manter todos os preditores e Lasso quando busca um modelo mais enxuto.

Quando usar regressão linear polinomial?

Use a regressão polinomial quando os dados mostram uma relação claramente não linear, como uma curva, e a reta simples não ajusta bem. Ela acrescenta termos de grau superior (X², X³) mantendo o modelo linear nos coeficientes. Cuidado com graus altos, que causam overfitting e oscilações exageradas nas bordas dos dados.

O que é regularização em regressão linear?

Regularização é uma técnica que adiciona uma penalidade à função de perda para limitar a magnitude dos coeficientes do modelo. Ela combate o overfitting e melhora a generalização, sendo essencial em conjuntos com muitas variáveis ou multicolinearidade. Ridge (L2) e Lasso (L1) são as duas formas mais comuns de regressão linear regularizada.

Regressão logística é um tipo de regressão linear?

Não exatamente. A regressão logística usa uma função linear internamente, mas aplica a função sigmoide para prever probabilidades e classificar categorias, não valores contínuos. Por isso ela pertence aos modelos lineares generalizados, sendo tratada como algoritmo de classificação, enquanto a regressão linear resolve problemas de regressão.

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Henrico Piubello

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